Otto de Alencar de Sá-Pereira
Nada mais certo! Foi o que ocorreu com os governantes republicanos, depois que o navio Alagoas conduzindo D. Pedro II e a Família Imperial perdeu-se nas brumas do Atlântico, em direção à Europa. Diz Monteiro Lobato que eles teriam tido um alívio: "enfim sós". Agora podem espoliar, à vontade, o povo brasileiro, sem que ninguém os fiscalize!
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Monteiro Lobato nos escreve: "D. Pedro II era a luz do baile, muita harmonia, respeito às damas, polidez de maneiras, jóias d'arte sobre os consoles, dando ao conjunto uma impressão genérica de apuradíssima cultura social. Extingue-se a luz.As senhoras sentem-se logo apalpadas, trocam-se tabefes, ouvem-se palavreados de tarimba, desaparecem as jóias".
Ou seja, sem o freio natural da Coroa, eles mostram-se como eram realmente.
Lambuzam-se no melado sujo de lama. Escarafuncham-se no atoleiro, sem tábua de salvação. Perdem-se nos mares, sem o farol que os guiava; que os guiava e corrigia seus rumos; que corrigia seus rumos e os conduzia a porto seguro.
Rui Barbosa, o "águia de Haya", que foi republicano durante o Império e monarquista ou simpatizante, depois dos primeiros desacertos e corrupções da República, certa vez, escreveu estas palavras, que tornaram-se acadêmicas (as quais, geralmente, só são publicadas até o fim do primeiro parágrafo):
"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto. Essa foi a obra da República nos últimos anos. No outro regime (na Monarquia), o homem que tinha certa nódoa em sua vida era um homem perdido para todo o sempre, as carreiras políticas lhe estavam fechadas. Havia uma sentinela vigilante, de cuja severidade todos se temiam e que, acesa no alto (o Imperador, graças principalmente a deter o Poder Moderador), guardava a redondeza, como um farol que não se apaga, em proveito da honra, da justiça e da moralidade" (Observação: Os parênteses são nossos para melhor ilustrar).
Rui Barbosa ocupava o cargo de Ministro da Fazenda no Ministério do Governo Provisório (1889-1891), presidido por Deodoro da Fonseca. Este Ministério compunha-se de republicanos históricos, como, por exemplo, além dele mesmo, de Silveira Lobo como Ministro do Interior, de Campos Sales como Ministro da Justiça, Quintino Bocaiúva ocupando o Ministério do Exterior, Demétrio Ribeiro, na Agricultura e Comércio, Wandenkolk, na Marinha e Benjamim Constant na Guerra (Exército).
Rui Barbosa era, sem dúvida, grande jurista e diplomata, um sábio, um extraordinário orador... porém, péssimo economista. Assim, foi o causador do famoso "Encilhamento", que trouxe a desmoralização das finanças brasileiras e uma terrível inflação.
Qualquer Banco emitia papel moeda, e títulos falsos de falsas empresas eram vendidos em quantidade incrível, no lugar onde se encilhavam os cavalos, no centro do Rio de Janeiro.
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A moral pública uma das características dos homens políticos do Império, como que se diluía. Ainda é Rui que nos faz saber: "O Parlamento do Império era uma escola de estadistas, o Congresso da República transformou-se em uma praça de negócios."
Considerando-se monarquista, recusa o convite. O Governo insiste. Ele resolve pedir a opinião e a autorização, caso a opinião fosse positiva, do Imperador, que nesta altura já se encontrava na França, pois fora para lá residir com sua filha, genro e netos, depois da morte da Imperatriz, em Portugal (na cidade do Porto).
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A resposta do Imperador foi simples e como sempre patriótica: "Sirva ao Brasil". Era o sinal verde. Ele aceitou o Ministério e iniciou a viver o cotidiano da vida política republicana. Eis que começa a perceber o que ocorria. Se olhasse para um lado, ou para o outro; se olhasse para cima ou para baixo, só o que via era desonestidade, era corrupção, eram aproveitamentos ilícitos, o bem público vilipendiado, os interesses particulares em primeiro lugar, o "Bonum Comune", completamente esquecido, o lambuzamento em melado enlameado.
Infelizmente, este homem, que tinha sido, no Império, símbolo de honradez, de caráter, de virtudes... aderiu ao "bloco do samba republicano" e familiarizou-se com os vícios e pecados.
Por que isso aconteceu na República do nosso Brasil, e vem ainda acontecendo, ressalvadas, sem dúvidas, especiais figuras da História Republicana, que continuaram a ilustrar a vida pública brasileira? Por que isso ocorreu? Monteiro Lobato estaria repleto de razão? É ainda Rui, que nos responde: "O mal grandíssimo e irremediável das instituições republicanas é deixar exposto à ilimitada concorrência das ambições menos dignas o primeiro lugar do Estado, e desta sorte, o condenar a ser ocupado, em regra, pela mediocridade".
(*) o TEXTO NÃO ESTA COMPLETO, PAR LER NA INTEGRA ACESSE: Fonte: Circulo Monarquico do Rio de Janeiro www.circulomonarquico.org.br