Monarquia Barra Bonita


Trecho de texto extraído do livro “José Bonifácio” pertencente a serie Grandes Brasileiros

 

Nos últimos dias de agosto chegaram três navios de Lisboa. As noticias que trazem são alarmantes: o príncipe é reduzido a simples delegado temporário das Cortes, com secretariado nomeado em Portugal, e  autoridade somente nas províncias que o quiserem; a convocação do Conselho de procuradores é anulada; serão processados todos os que agiram contra as cortes, sendo especialmente visados José Bonifácio e seu grupo.

Reúne-se o Conselho de Ministros, sob a presidência de d. Leopoldina. José Bonifácio também recebeu carta de Lisboa, de Antonio Carlos. Decidem que chegou o momento de agir. Martim Francisco, em sua dureza, diz à princesa:

“Se tem que fazer, senhora, que se faça já!”

Escrevem a d. Pedro, comunicando as noticias e chamando-o de volta. D. Leopoldina lhe diz:

“Esteja persuadido que não só o amor e a amizade me fazem desejar, mais que nunca, sua pronta presença, mas sim as críticas circunstancias em que se acha o amado Brasil; só a sua presença, muita energia e rigor podem salva-lo”.

E José Bonifácio:

“Senhor o dado está lançado e de Portugal não temos a esperar senão escravidão e horrores. Venha V. A . R. quanto antes e decida; porque irresoluções e medidas de água morna, à vista desse contrário que não nos poupa, para nada servem e um momento perdido é uma desgraça”.

Lá fora espera Paulo Emilio Bregaro, porteiro e oficial da Secretária do Conselho Supremo Militar. José Bonifácio lhe entrega as cartas, duas da princesa, uma de Antonio Carlos, uma de Chamberlain, o cônsul inglês, a ultima sua. Diz:

“se não arrebentar uma dúzia de cavalos no caminho, nunca mais será correio; veja o que faz”.

D. Pedro está em São Paulo. A viagem tem sido agradável, frutífera em resultados políticos e amorosos. Resolve ir a Santos, inspecionar algumas fortalezas.

Desce a serra no dia 5 de setembro. Passa em Santos o dia 6 e, no dia seguinte, sobe de volta. Alguma coisa que comeu e bebeu lhe fez mal, vem devagar, parando aqui e ali para “prover-se”, como diz um companheiro de viagem.

Em São Paulo, ao chegar, Bregaro não encontra o príncipe. Acompanhado do major Antonio Ramos Cordeiro, segue no rumo de Santos.

D. Pedro, por seu lado, é avisado da chegada de Bregaro com correspondência do Rio. Acelera a marcha, e “no alto da colina próxima do Ipiranga”, encontra Bregaro e o major Cordeiro. Das mãos deste recebe as cartas.

Há alguns minutos havia parado. O destino está a lhe pregar uma peça, obrigando-o a essas paradas num momento decisivo. Lê apressadamente as cartas.

“O dado esta lançado”

Amarrota os papeis, pisa-os.

 Escrito por Monarquia Barra Bonita às 23h02
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“De Portugal não temos a esperar senão escravidão e horrores. Venha V. A . R. quanto antes e decida; porque irresoluções e medidas de água morna, à vista desse contrário que não nos poupa, para nada servem e um momento perdido é uma desgraça”.

O padre Belchior está ao seu lado:

“Depois, abotoando-se e compondo a fardeta, virou-se para mim e disse:

-E agora, padre Belchior?

E eu respondi prontamente:

-  Se V. Alteza não se faz de rei do Brasil será prisioneiro das Cortes  e talvez deserdado por elas. Não há outro caminho senão a independência e  separação.

D. Pedro caminhou alguns passos silenciosamente acompanhado por mim, Cordeiro, Bregaro, Carlota  e outros em direção aos nossos animais, que se achavam a beira da estrada. De repente estacou-se já no meio da estrada, dizendo-me:

- Padre Belchior, eles o querem, terão a sua conta. As Cortes me perseguem, chamam-me com desprezo de “Rapaizinho” e de “Brasileiro”. Pois verão agora quanto vale o “Rapaizinho”. De hoje em diante estão quebradas as nossas relações; nada mais quero do governo português e proclamo o Brasil para sempre separado de Portugal.

Monta na bela besta baia gateada em que vem desde Santos. Vai ao encontro dos dragões da Guarda de Honra.

“..........o dado está lançado”.

-Amigos, as Cortes querem escravizar-nos e perseguem-nos. De hoje em diante nossas relações estão quebradas. Nenhum laço nos une mais!.

Arranca do chapéu o laço azul e branco, símbolo das Cortes portuguesas, atira-o ao chão.

- Lanços fora, soldados! Viva a Independência, a liberdade e a separação do Brasil.

Entre vivas, desembainha a espada, acompanhado pelos militares. Os civis se descobrem.

- Pelo meu sangue, pela minha honra, pelo meu Deus, juro fazer a liberdade do Brasil.

Todos juram. D. Pedro põe-se à frente do grupo, prepara-se para partir. Mas antes fica em pé nos estribos, se vira, e exclama:

-         Brasileiros, a nossa divisa de hoje em diante será

-         Independência ou Morte!

São quatro e meia da tarde do dia 7 de setembro de 1822.

 

 

 

 

A partir deste momento foi proclamada a independência do Brasil, esse são apenas alguns fatos políticos que se envolveram  na luta pela independeria, o esforço feito por D.Pedro, pelos irmãos Andradas, Caldeira  Brant, dentre outros inúmeros outros memoráveis brasileiros não só de nascimento, mas sim de coração, e mostra que a independecia não foi somente uma passagem como cita os livros de historia, mas sim grandes lutas e conquistas diplomaticas de nosso mais celebres Brasileiros.

 



 Escrito por Monarquia Barra Bonita às 23h01
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